quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Ação

Contra a realidade dura e sólida, contra o objetivismo histórico, o método, o desenvolvimento, a evolução, devemos perguntar que fundamento tem afinal esta ação.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Caio Fernando

E se tudo isso que você acha nojento, for exatamente o que chamam amor?

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Retalhos

Vi Foucault se esmigalhando deitado no chão estraçalhado na minha frente. A história da loucura se desfazendo em letras desmantelando todas as palavras...
Era uma atmosfera mórbida, schubertiana, com a Sonata D959, no segundo movimento, mas em tom maior.

Diz uma voz, vai fuder, vai logo NawDasLoka. Liguei o carro, destino Xanxerê e uma suruba, paus enormes, corpos normativos, tudo que a NawDasLoka não levava, ela levava, mas no som ia a 959, segundo movimento quão fúnebre, não combinava com uma suruba, a não ser que fosse daquelas estilo 120 de Sodoma e não era. Som 959 acaba de mudar o modo, que ironia. Um absurdo o tom maior, coisa temerosa. Esse tom não combina com você meu amor, Schubert era horrendo como sabemos, jovem, sifilítico e loka como Goethe da sífilis da loucura delas, NawDasloka, como que pode esse lamento terrível, e você acha que ainda vai escutar, escuta nada, você, espalhafatoso deste jeito, todo gemendo com as Violetas verdianas, 80km por hora, já passamos Xaxim. Boy, Schubert morreu 3 anos antes de ti, viveu 3 anos a menos do que já você e que atmosfera lúgubre tem essa Sonata, que sonoridade excessiva de tristeza, afinal essa NawDasLoka vai pra suruba ou pra enterro...

Pra ondé que vai a NawDasLoka, leva um Foucault esmigalhado em letras no porta-luvas, Sodoma é que não é, chega em Xanxerê, im Dorfe, vamos entrando, vamos entrando, todo mundo pelado, paus duros, bundas pra cima, paus bundas, bocas, línguas, boys e mais boys e mais boys, se se reproduzem é por cissiparidade, ou partenogênese em contato com água, pelo aparecimento, tantos boys, aparecendo, onde é que estavam... boys ao ritmo de Schubert: rê-rê-rê-rê... um rê-rê-rê-rê insistente que n~åo deixa o lutpo acontecer, não deicxa a agonia, rê-rê-rê-rê, si... rê-rê-rê-rê... lá rê-rê-rê-rê... dó si lá si rê dó si lá, rê-rê-rê-rê... es schlafen die Menschen in ihren Betten, träumen sie was. Hätten sie was zu träumen?

Segue NawDasLoka suruba terminada, como que num sonho sonhando, perdida numa névoa fina levando pra um desatino desconhecido essa de Schubert, 959, träumen sie manches, was sie nicht haben, o que seria, um clima fúnebre, um luto, é isto, NawDasLoka em luto. O que você não tem neste momento, NawDas é o luto, porque está seca, vazia e oca, derrubada e pálida, lê lá nas práticas de Willis, algum vapor pra prensar esses nervos zu viel zu nachgelassen, vai seca, seca, seca, das Gras: verdorret und die Blumen: abgefallen, mas aí já pulamos uns 30 anos. NawDas não tem nem um puto. Puto na falta de luto.

NawDas aporta, Stultifera Navis rê-rê-rê-rê loka-loka-loka-loka, rê-rê-rê-rê, fetrum venit, a obstinação de Schubert chega a loucura: rê-rê-rê-rê. Sífilis e morte.

rê-rê-rê-rê
rê-rê-rê-rê
rê-rê-rê-rê
rê-rê-rê-rê
rê-rê-rê-rê
rê-rê-rê-rê
rê-rê-rê-rê
rê-rê-rê-rê...


sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

NawDasLoka

A NawDasLoka
que todas embarca,
desgovernada
no Tietê

Toda viagem
só pode fazer
numa Narrenschiff,
no elogio.

Vain,
veia do cérebro
encheiosa, motivo,
vapores vanitas

achega da estupidez
das mulher preta,
das vyada,
as travesti,

a trans,
o trans trava, as mulher,
necessidade específica,
NawDasLoka.

Cambalacho
todas embarca
nanawdasloka
parte stultifera navis.

Solilóquio

Loucura,
demência,
furor,
desatino,
desrazão,
imbecilidade,
estupidez,
mania,
morosidade,
melancolia,
poesia.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Lembrança

De uma vila muito longínqua, em um tempo anacrônico, em um lugar delocalizado, de uma realidade inverossímil, quando um menino de três anos, neste país irremoto, caminhava pelas calçadas desde sua casa até a escola acompanhado por seu pai, este menino que queria usar saia.

O pai, que entendendo a saia como uma vestimenta possível, no hall dos costumes e certezas da sociedade positiva, vestiu o menino de saia para ir a escola e foi achincalhado porque oras o menino iria afinal sofrer bullying na escola. O pai, não teria responsabilidade, ou a responsabilidade que era pra ter. Essa responsabilidade mantenedora, ele não a tinha...

Pior do que isso, diriam algumas vozes. Não bastando, resolveu também o pai, par se, ao acompanhar seu filho na escola, vestir outra saia. E iam os dois, vestidos, com costumes possíveis, para este local difuso, completo por grades.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Noel Rosa

Último Desejo

Nosso amor que eu não esqueço
E que teve o seu começo
numa festa de São João 
Morre hoje sem foguete, 
sem retrato e sem bilhete 
Sem luar, sem violão 
Perto de você me calo 
Tudo penso e nada falo, 
tenho medo de chorar 
Nunca mais quero o seu beijo 
Mas meu último desejo 
você não pode negar 

Se alguma pessoa amiga 
pedir que você lhe diga 
Se você me quer ou não 
Diga que você me adora, 
que você lamenta e chora 
A nossa separação 
Às pessoas que eu detesto 
Diga sempre que eu não presto, 
que o meu lar é o botequim 
E que eu arruinei sua vida 
Que eu não mereço a comida 
que você pagou pra mim

(É como se... Noel Rosa tivesse me escrito... linha por linha, palavra por palavra, letra por letra).

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Vasto mundo

Nós lidamos com isso fingindo que entendemos...
Eu não entendo isso.
Quem acredita em wifi, acredita em centro espírita.
Você vai dizer pra mim que uma pessoa quando morre,
não pode ficar em signo, se tudo que esta realidade é, está em signo?
Se eu passo 30 mil páginas, 300 mil ou todo conhecimento da humanidade,
PELO AR, pra ele?
Se o virtual pode, o que mais pode? E o que não pode?

Viviane Mosé.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Solidão

"... Ora, a solidão, ainda vai ter de aprender muito para saber o que isto é, Sempre vivi só, Também eu, mas a solidão não é viver só, a solidão é não sermos capazes de fazer companhia a alguém ou a alguma coisa que está dentro de nós, a solidão não é uma árvore no meio duma planície onde só ela esteja, é a distância entre a seiva profunda e a casca, entre a folha e a raiz, Você está a tresvariar, tudo quanto menciona está ligado entre si, aí não há solidão nenhuma..."


Diálogos entre o fantasma de Fernando Pessoa e seu (ainda vivo) heterônimo, Ricardo Reis extraídos de, O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago...

sábado, 19 de novembro de 2016

Preso

Verdadeira prisão é aceitar estar preso...
(De "O Ano da Morte de Ricardo Reis", Saramago).

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Nascer

O silêncio é o gestador dos grandes encontros.