segunda-feira, 11 de junho de 2012

Cesaireana


Vai! Mundo hétero terrivelmente lasso,
querer fazer todo mundo igual
a sua triste imagem opressiva
degradante, humilhante e decadente.

Homem branco hétero.
Mulher branca hétero.
Homem preto hétero.
Mulher preta hétero.
Gay hétero.
Lésbica hétero
Bicha hétero.
Sapa hétero.
Transsexual hétero.
Travesti hétero.
Indefinido hétero
Não-qualificado hétero.
Toda heterossexualidade num branco inexaurível. Incolor-insípido-exangue.
Insosso e fraco.

Um voyeurismo hétero do começo ao fim.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

A Marcha das Vadias

As mulheres gritando em alto e bom som que "o nosso corpo é nosso" e não do estado...

O direito a "ser uma vadia", uma vadia em todos os bons sentidos desta palavra... Porque na verdade, NÃO HÁ NENHUM mal sentido pra ela, a não ser nas mentes machistas de alguns (muitos). Vadia em sentido pejorativo, em sentido de xingamento, só pode vir de uma mente perturbada, uma que mereça o sanatório...

Oras pois... ser uma vadia, afinal, é poder explorar todas as potencialidades sexuais E sensuais do corpo. Estas potencialidades que já existem, e que o estado machista toma pra si, botando o cabresto no corpo feminino, "isto me pertence".

Não fosse apenas isto, há todo o escárnio de se inverter o que era usado para xingamento (pela "moral e bons costumes"), vadia, usando-o pra violentar uma moralidade falida, violentando com a sensualidade, violentando com o próprio corpo!

Eu? Rio de muita felicidade com a conversão do machismo histórico em escárnio e sensualidade!
Um viva à marcha das vadias em todas as cidades do mundo!
Viva!

Vegetariano

Ser vegetariano pra quê?

Pra quê ser vegetariano, afinal? Para ouvir piadas infames em refeitórios, cantinas, restaurantes, piadas de amigos sobre o "sofrimento da alface"? Pra que os mesmos os contadores se refestelem num covil sanguinolento que alcança seus pratos, enquanto acham "ridícula essa tendência vegetariana"? Pra que contem vantagens de refinamento gastronômico sobre os mesmos bichos que chegam ao prato com sangue escorrendo?

Pra quê se importar com seres, se o fato de se importar gera só mais incômodo, mais estranhamento, gera comentários como "opção sua" (respeitar a vida alheia virou mera "opção minha" neste discurso)...

Porque demonstrar um mínimo de respeito pela vida animal em um lugar em que se riem deste tipo de vida, como simplesmente: aqueles que não têm direito (nenhum), e que podem ser meramente usados.
Aqueles a que se inventam instituições pra certificar uma morte ética? Aqueles a quem "meu Deus do céu, o abate precisa rigorosamente inspecionado dentro dos códigos morais e éticos"! Precisa ser um abate institucional!

Morte ética?

Ser vegetariano pra quê, afinal?

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Na madrugada


fechar os olhos e ali está o infinito. Infinito tudo. Infinita música, infinita beleza, infinita tristeza. Infinitas palavras, infinitos pensamentos, infinitas inquietudes.

Estranho haver tudo aquilo. Um tudo tão tudo, tudo pesado. Pesadíssimo. Há e não há, por haver só pra mim. O que há só pra mim existe de fato?

Uma dispersão. Um colapso. Outra dispersão, outro colapso.

Possibilidade é o indefinido: infinito não-contável. Infinito real: continuum, não correlacionável.
Escolha é colapso: O Universo e tudo que existe nele.

Possibilidade é não existir. Colapso existir.

Desespero

no blog. Registrado em 1 de junho. Desespero sólido.

Uma questão semântica

é ir ou vir. Vir ou ir sem referencial é no indefinido (de lá se diz venha, de cá "se digo" vou). No indefinido que se contornam grandes dilemas. Falta lá fluxo. Falta lá colapso. Falta lá o tempo.

Tempo: ir e vir. Tempo agrega. Pesa. Ir e vir.
Ir e vir reto. Indefinido curvo.
Ir e vir verbo ser. Indefinido verbo espalhar.

Tempo de ir e vir: 5 segundos. Tempo do indefinido: indefinido.
Espaço pra ir e vir: mundo, Universo e todas as coisas. Espaço do indefinido: o infinito não contável.

Confiança

Confiança é um conceito abstrato. Um conceito de compreensão, mais complexo que a compreensão do outro mundo (sim, porque é muito verdade que devemos deixar o outro mundo em paz, porque o mistério está neste, disse o Quintana).

Confiança é quando se deposita alguma esperança em alguém a fundo perdido. Em geral é uma alternativa de desespero: só se usa de confiança quando não há mais nenhum recurso disponível.

Então a vida requer que confiemos. Porque os recursos próprios que dispomos, para controlar as circunstâncias que nos rodeiam são absolutamente escassos. Na verdade, temos uma ilusão barata de controle de circunstâncias de nossa vida, mas é bem barata este ilusão, de fato não controlamos nada. Ou quase nada. Então, para todo o resto há uma confiança. Uma confiança cega, se pode dizer.

Confiança é o papel que se paga pela existência. Existir demanda confiar.

Menor

Gosto de chuva, quero.
Gosto violeta na boca, quero.
Gosto de marca no rosto, quero.
Gosto vermelho rasgando, quero.

Horizonte amarelo ondulante, quero.
Não querer fechar os olhos, quero.
Frio trincante, estilhaçador, quero.
Novo de nada e começo, quero.

Militância e Luta


Militância não porque o mundo seja um lugar bonito. Não pra torná-lo um lugar melhor. Militância a fundo perdido.

Militância porque não saber como é o mundo daqui pra frente. Só como ele não tem que ser.
Não porque ele não vá se tornar isso. O mundo vai se tornar, aquilo que se luta contra. O que se luta contra e irá se tornar: o que se luta contra.

Militar que não se afiliar a um movimento voltado pra esta ou aquela causas. Militar que seja se manter atento.

O mundo é horrível. As pessoas são horríveis. Nós. Não tenho nenhuma esperança de que o mundo se torne um lugar melhor. Militância e luta porque é a única coisa que sei fazer...

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Ausência

Que grande ausência de 6 meses.
Acho que não tenho mais nada pra escrever.
Seco por dentro, deve é ser.

Ou é muito trabalho pra fazer nos últimos tempos. É sério esse negócio de muito trabalho. Nunca se descança. Claro que, temos que trabalhar o tempo todo. Se der pra trabalhar 80 horas na semana, melhor. Nos podemos definir enquanto justiça por quanto trabalhamos. Quanto mais se trabalha, mais justo se é. E nem se trata de qualificar um workaholicismo, mas é fato que vivemos um ápice calvinista: tudo é justificado pelo trabalho e pela ganância de trabalhar mais. Se você não se adapta: babaus, é um sujeito mau.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Desgraça

E quando a desgraça chega cedo demais?
Quando chega em tempos de juventude, quando a tragédia vem sem avisar?
Já li há pouco tempo que... "O diagnóstico de uma doença grave e incurável é um abismo no qual você é empurrado sem aviso. E sem pára-quedas. E se você tá esperando um "mas" aqui, sinto lhe informar, não tem. Não no meu caso. Não teve revelação divina. Não teve fé súbita em alguma coisa maior. Não teve uma compreensão mais apurada das dores do mundo. O que dá, assim, de cara, é raiva. Porque a vida já caminha na beirada do insuportável sem essa foice tão perto do pescoço. Porque já é suficientemente difícil estar vivo sem esta sentença de morte lenta e degradante. Dá vontade de acreditar em Deus, sim, mas só se for pra encher Ele de porrada."

Quando a desgraça chega mais cedo, quando bate por aqui ou por ali pela porta da frente, ou às laterais, você se ajunta, conserta a colcha de retalhos que ficou de si... vai consertando com a ajuda de quem te ajuda, não de amigos e amores imaginários, mas só daqueles que te aparecem pra ajudar e amar... Você se levanta e anda como pode, um pouquinho por dia, com a ajuda destas pessoas, que você não fez escolher, que muita vez, não são as pessoas que você queria escolher pra tar do seu lado nos momentos mais dolorosos, que muita vez, não são nada disso, só calhou a ironia da vida em mostrar que não te cabe decidir quem são os bons e os ruins. Que muita vez, são as pessoas que estão ali te estendendo a mão, apenas, elas não são as mais beatas, nem as mais boazinhas, muito menos as mais politicamente corretas...

Bom, eu gostaria de desejar a todas as pessoas que eu conheci que conheceram doenças que lhe interromperam alguma esperança sobre a vida... gostaria de lhes desejar o melhor, sem saber o que isto significa ao certo. Um desejo capenga...

Penso constantemente nestas que encontrei, e nas que não encontrei, com um desejo de paz... o mesmo desejo da faxineira preta-preta-preta que no descuido do destino que sussurrava guloso enquanto engolia seu existir, de roubar uns momentos de descuido.

Roubar uns momentos de descuido de um destino pesado. Uma hora, um dia, um mês, um ou alguns anos, ou uma vida de descuidos. É este o meu desejo...