Estudantes ocupando escolas e tendo as experiências da nossa vida por lá... Lutando contra uma pec241 tremenda, horrível, intimidante, abusada, absurda. Talvez uma coisa tão maior do que o talvez. Do que eles mesmo entendam, lutando por conceitos e estruturas simples: educação, saúde, direitos básicos e não arredamos mais o pé. Estas(es) jovens, tão pequenas(os) e valentes...
Estudantes ocupam a escola Irene Stonoga em Chapecó e a escola Tancredo Neves... E a Universidade Federal.
Gerem a limpeza da escola, a cozinha, os mantimentos, como cozinhar, o que comer, quando comer, a grana, a arrecadação de mantimentos, os corredores, o calendário de ocupação com atividades múltiplas.
Que tal: listando os problemas da estrutura física da escola? "Descarga com problema, não use." "Grama cortada, muro quebrado, lâmpadas a trocar, reformas estruturais nas salas, carteiras quebradas?". Uma experiência ABSOLUTAMENTE ÚNICA do espaço público da escola, sendo levada a sério com uma civilidade que... de onde foi que eles tiraram?
Tendo talvez nenhum exemplo nisto, talvez nem de pais, dentre os quais podemos citar, uma tentativa de "botar fogo na escola" pra tirá-los de lá, ou ameaçando este movimento de ocupação eventualmente com arma de fogo. Esbofeteando alguns dos ocupantes, que tal?
Não de governos e suas pecs241, se representados por uma diretora que chama a tropa de choque com fuzis para intimidá-los. Que tal de professores, que torcem o nariz para a ocupação, estas e outras, talvez o único corpo coletivo (as ocupações) que está lutando contra um governo de vampiros tornando todo mundo igual a eles? Deve é ser uma terrível e mortal inveja...
Onde foi que aprenderam esta civilidade pública?
Mas não, senhores conservadores que imediatamente perguntem "estes vagabundos estão impedindo as aulas? Faltando-as? E a matemática, a história, a biologia?" não, senhores conservadores, CONCOMITANTE a isto, as aulas vêm sendo mantidas no Irene Stonoga... Estudantes vamos acordar as 6 da manhã, lavar a escola, arrumar o acampamento, tirar os colchões, montar as salas que a aula começa as 7:30. O mesmo ao meio dia e as 18h.
Em uma dinâmica de grupo, vejo estudantes se apresentando: meu nome é André, Silmara, Paulo, Joana, sou lésbica, gay, hétero, bissexual, não tenho sexualidade, cis, feliz, tenho fissura em barriga, sou comunista, sou evangélico, gosto de falar comigo mesma, sou teimosa, tímido, gorda, cabeludo, só gosto de skate, sou eclético, gosto de todos os tipos de gentes e músicas e comidas.
Estudantes ocupam escolas em 2016. Eles afinal tem todo o futuro a perder, talvez mais do que uma geração de 1980, que o Brasil, este país do futuro... (De gays no armário que ainda se escondem atrás de casamentos falsos? Geração conservadora, geração perdida). A vida vai rindo, que estardalhaço este existir.
Riem-se de uma geração de 1980, que afinal, vocês vão sair do armário antes de morrer?
Avisem-nos quando decidirem parar com este (e outros) fingimento(s)...
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
Perder
Quando você sentir que perdeu tudo, tendo a percepção de que, na realidade, você apenas se enganou em possuir muitas coisas. Estas coisas, elas que você nunca possuiu, perdendo-as portanto fantasmagoricamente. Quando você sentir que perdeu tudo, e perdeu os bens mais preciosos a sua vida, ao seu querer. Quando perdeu toda a vontade, quando perdeu todas as certezas, e especialmente sua estabilidade. Então a vida começa.
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
Amor do poeta, volume 12
Hör' ich das Liedchen klingen,
das einst die Liebste sang,
so will mir die Brust zerspringen
von wildem Schmerzendrang.
Es treibt mich ein dunkles Sehnen
hinauf zur Waldeshöh',
dort lös't sich auf in Tränen
mein übergroßes Weh'.
https://www.youtube.com/watch?v=RBdPR_wGYSI
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
Me achei
VIDA VIDINHA
A solteirona e seu pé de begônia
a solteirona e seu gato cinzento
a solteirona e seu bolo de amêndoas
a solteirona e sua renda de bilro
a solteirona e seu jornal de modas
a solteirona e seu livro de missa
a solteirona e seu armário fechado
a solteirona e sua janela
a solteirona e seu olhar vazio
a solteirona e seus bandós grisalhos
a solteirona e seu bandolim
a solteirona e seu noivo-retrato
a solteirona e seu tempo infinito
a solteirona e seu travesseiro
ardente, molhado
de soluços.
A solteirona e seu pé de begônia
a solteirona e seu gato cinzento
a solteirona e seu bolo de amêndoas
a solteirona e sua renda de bilro
a solteirona e seu jornal de modas
a solteirona e seu livro de missa
a solteirona e seu armário fechado
a solteirona e sua janela
a solteirona e seu olhar vazio
a solteirona e seus bandós grisalhos
a solteirona e seu bandolim
a solteirona e seu noivo-retrato
a solteirona e seu tempo infinito
a solteirona e seu travesseiro
ardente, molhado
de soluços.
(Drummond)
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Mensalidade
Vida a prestações
de sensações retesadas
e tristezas hiperfinas
contadas em gotas
de palavras epiteliais
e economia de tempo
Há muito tempo que
O tempo vem preparando
o assassinato do tempo
que uma vez morto,
não deixa tempo
pra nada.
Risos reservados
tristezas permanentes
certezas deprimentes
corpos anestesiados
vida acumulando.
de sensações retesadas
e tristezas hiperfinas
contadas em gotas
de palavras epiteliais
e economia de tempo
Há muito tempo que
O tempo vem preparando
o assassinato do tempo
que uma vez morto,
não deixa tempo
pra nada.
Risos reservados
tristezas permanentes
certezas deprimentes
corpos anestesiados
vida acumulando.
sábado, 27 de agosto de 2016
Impeachment
Este impeachment está sendo escrito linha por linha, capítulo por capítulo, palavra por palavra em cima do livro "O Processo" do Kafka. Pensando neste processo de impeachment e me lembrei. É impressionante a semelhança entre o livro e este julgamento. Não é só semelhante, são a mesma coisa.
Isto tudo, todo esse espetáculo, que grande farsa.
Vamos todos pra rua farsear junto com os mais altos cargos da nossa república, com os mais altos representantes, sentados em cima da sua bunda inerte. Vamos minha gente, eles já estão mortos.
É um bom capítulo do livro, a atmosfera psíquica é idêntica. A loucura é a mesma. No livro, o indivíduo não sabe sobre o que é julgado, sobre quais crimes cometeu, se é que de fato crimes cometeu. (Ele nasce já julgado de crimes que se quer sabe quais são... o tribunal de julgamento é somente pró-forma). Os examinadores lhe afirmam em tom monocórdio, "Não importa quais crimes você cometeu, não importa se quer se você sabe da lei, que ela exista, ou não, isso tudo é indiferente aos olhos de que, sim, a lei existe e o senhor cometeu crime". Mas que crime teria cometido.
Quase que não importa que ele tenha de fato cometido ou não crimes. O que importa na verdade é este clima psíquico de condenação. Se condena por intenções ("Doutora Janaína, mas isto não é crime", "Como não é crime? Os decretos representaram um inchaço do orçamento, o que foi usado com a INTENÇÃO eleitoreira de um ganhar a eleição, e não respeitaram a PREVISÃO do orçamento"... Intenção tanto quanto previsões não cumpridas viraram crimes). O que garante ao sujeito se ele tem ou não direito não é um papel, um livro (constituição), nem mesmo o bom-senso das pessoas letradas (vejam estes juízes meus senhores, sentados em suas cadeiras, vejam estes doutores e todas estas pretensões farsescas, que circo romano!).
O engraçado é Kafka ter escrito este livro na década de 1920, quase 100 anos atrás, com um apelo ao realismo fantástico, (quando alguns fatos inverossímeis são "inventados") e a partir das reações e dos desenvolvimentos subsequentes a estes "fatos inventados", vamos tecendo uma realidade (kafkiana): a atmosfera do absurdo. (Parece que a realidade beira ao absurdo, mas ninguém está ali pra nos dizer, até que algo acontece e o absurdo entra em ignição). Porque parece que a atmosfera do absurdo está ali sempre presente, pronta a se jogar no precipício, só esperando um empurrão...
A realidade sacolejando no anacronismo da história...
No final vejam meus amigos com aquela severa cadeira de Lewandowski se fazendo de sério, rei sobre todos os reis, de Renan Calheiros tentando manter uma compostura (?) e qual compostura um Senado tenha, a esta severa face de boa temperança, de bom equilíbrio, pedindo vênias, cinco minutos pra se recompor, cinco minutos pra recuperarmos nossa dignidade, cinco minutos, Dilma deve olhar ao superior ministro e dizer letra por letra, palavra por palavra, frase por frase como o (não)-herói do Processo de Kafka, Josef K., com a convicção de quem não precisa de escusas em um processo que já nasceu julgado: "todo este processo que o senhor conduz meu caro, Ilustríssimo senhor Lewandowski, condutor deste inimputável superior dentre todos os superiores tribunais desta nação, este processo todo é uma absoluta FARSA!"
Isto tudo, todo esse espetáculo, que grande farsa.
Vamos todos pra rua farsear junto com os mais altos cargos da nossa república, com os mais altos representantes, sentados em cima da sua bunda inerte. Vamos minha gente, eles já estão mortos.
É um bom capítulo do livro, a atmosfera psíquica é idêntica. A loucura é a mesma. No livro, o indivíduo não sabe sobre o que é julgado, sobre quais crimes cometeu, se é que de fato crimes cometeu. (Ele nasce já julgado de crimes que se quer sabe quais são... o tribunal de julgamento é somente pró-forma). Os examinadores lhe afirmam em tom monocórdio, "Não importa quais crimes você cometeu, não importa se quer se você sabe da lei, que ela exista, ou não, isso tudo é indiferente aos olhos de que, sim, a lei existe e o senhor cometeu crime". Mas que crime teria cometido.
Quase que não importa que ele tenha de fato cometido ou não crimes. O que importa na verdade é este clima psíquico de condenação. Se condena por intenções ("Doutora Janaína, mas isto não é crime", "Como não é crime? Os decretos representaram um inchaço do orçamento, o que foi usado com a INTENÇÃO eleitoreira de um ganhar a eleição, e não respeitaram a PREVISÃO do orçamento"... Intenção tanto quanto previsões não cumpridas viraram crimes). O que garante ao sujeito se ele tem ou não direito não é um papel, um livro (constituição), nem mesmo o bom-senso das pessoas letradas (vejam estes juízes meus senhores, sentados em suas cadeiras, vejam estes doutores e todas estas pretensões farsescas, que circo romano!).
O engraçado é Kafka ter escrito este livro na década de 1920, quase 100 anos atrás, com um apelo ao realismo fantástico, (quando alguns fatos inverossímeis são "inventados") e a partir das reações e dos desenvolvimentos subsequentes a estes "fatos inventados", vamos tecendo uma realidade (kafkiana): a atmosfera do absurdo. (Parece que a realidade beira ao absurdo, mas ninguém está ali pra nos dizer, até que algo acontece e o absurdo entra em ignição). Porque parece que a atmosfera do absurdo está ali sempre presente, pronta a se jogar no precipício, só esperando um empurrão...
A realidade sacolejando no anacronismo da história...
No final vejam meus amigos com aquela severa cadeira de Lewandowski se fazendo de sério, rei sobre todos os reis, de Renan Calheiros tentando manter uma compostura (?) e qual compostura um Senado tenha, a esta severa face de boa temperança, de bom equilíbrio, pedindo vênias, cinco minutos pra se recompor, cinco minutos pra recuperarmos nossa dignidade, cinco minutos, Dilma deve olhar ao superior ministro e dizer letra por letra, palavra por palavra, frase por frase como o (não)-herói do Processo de Kafka, Josef K., com a convicção de quem não precisa de escusas em um processo que já nasceu julgado: "todo este processo que o senhor conduz meu caro, Ilustríssimo senhor Lewandowski, condutor deste inimputável superior dentre todos os superiores tribunais desta nação, este processo todo é uma absoluta FARSA!"
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
Face ou, a ressentida
Compartilhe curta goste comente clique
defina-se com duas letras neste espaço
diga-me feliz seu estardalhaço
As suas últimas respirações, publique
As mais lindas fotos duma felicidade
todos somos lindos e na tenra idade
fale ao mundo com coração de quem ama,
dois mil amigos na solidão de sua cama.
defina-se com duas letras neste espaço
diga-me feliz seu estardalhaço
As suas últimas respirações, publique
As mais lindas fotos duma felicidade
todos somos lindos e na tenra idade
fale ao mundo com coração de quem ama,
dois mil amigos na solidão de sua cama.
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
Essa ternura
"Não sei como me defender dessa ternura que cresce escondido e, de repente, salta para fora de mim, querendo atingir todo mundo. Tão inesperada quanto a vontade de ferir, e com o mesmo ímpeto, a mesma densidade. Mas é mais frustrante. Sempre encontro a quem magoar com uma palavra ou um gesto. Mas nunca alguém que eu possa acariciar os cabelos, apertar a mão ou deitar a cabeça no ombro. Sempre o mesmo círculo vicioso: da solidão nasce a ternura, da ternura frustrada a agressão, e da agressividade torna a surgir a solidão. Todos os dias o ciclo se repete, às vezes com mais rapidez, outras mais lentamente. E eu me pergunto se viver não será essa espécie de ciranda de sentimentos que se sucedem e se sucedem e deixam sempre sede no fim."
Caio Fernando Abreu
quarta-feira, 17 de agosto de 2016
Poema
Quando tinha 15, achei que eram só palavras.
Quando tinha 30 achei que tinha capturado sentido.
Aos 45 entendi que com 30 não tinha entendido nada.
Nos 60 achei que os sons eram bonitos se ditos alto.
Com 75 ainda chorava ao lembrar, mesmo esquecido.
Aos 80 então, colocaram sobre mim em pedra.
Até hoje lá está.
Quando tinha 30 achei que tinha capturado sentido.
Aos 45 entendi que com 30 não tinha entendido nada.
Nos 60 achei que os sons eram bonitos se ditos alto.
Com 75 ainda chorava ao lembrar, mesmo esquecido.
Aos 80 então, colocaram sobre mim em pedra.
Até hoje lá está.
terça-feira, 16 de agosto de 2016
Organização
Esta organização excessiva, essa fragmentação elevada a último nível pode dar a impressão de que tudo na vida tem um propósito, de que nossas ações devem ser organizadas para gerar o máximo de propósitos possíveis. Há uma indelével certeza de que viver é maximizar as certezas.
O grande propósito é desfazer todos os propósitos. É se movimentar por entre o desconhecido absoluto, o absurdo, o inenarrável, com leveza e graciosidade. Ou gargalhando.
O grande propósito é desfazer todos os propósitos. É se movimentar por entre o desconhecido absoluto, o absurdo, o inenarrável, com leveza e graciosidade. Ou gargalhando.
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
Tudo sobre a escola sem partido
Ai estes(as) protagonistas da escola sem partido querendo transformar um espaço público em algo tão insosso quanto eles(as) mesmos.
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