Que inteligência era na verdade um fenômeno social. Inteligência era comunicação. Mas então havia outra coisa. Que também estava ali. Essa outra coisa que não era a comunicação e portanto não existia em termos de inteligência, em termos de diferenciação, em termos de algo que se podia comunicar. Não era o corpo. Corpo era comunicação. Que seria. Desejos, sonhos, psiquês, transmutações. Tudo inteligência, tudo linguisticamente catalogado. Esse quê, que permitia a expansão e contração do que estava linguisticamente catalogado.
Havia alguma coisa impronunciável, indizível, intangível, qualquer coisa que de etérea que não era, era um vazio que preenchia os espaços da não-existência (um problema pra inteligência era certo a existência desta coisa impronunciável). Havia algo duro, algo que não se podia ir contra, porque não havia para ele um nome. Não havia para ele inteligência ou transmutação. Este algo estava ali, dizendo-se o princípio de tudo que existia. Era tudo além, o que não era comunicação, o que não era inteligência. Algo que estava fora do escopo das coisas inteligíveis.
A interrupção do aluno,
mas no final das contas eu não tive nenhum professor porque nenhum professor existia ou porque eu nunca me sujeitei a ser aluno?
Inteligência é comunicação. É social. Não havendo sozinha e isolada em um indivíduo.
É enciclopédia da análise de fenômenos. Não, não é memória. Catalogação de fenômenos como livre associação. Não tão livre assim. Pouco tem a ver com memória.
Inteligência é discurso. É catálogo linguístico. É a possibilidade máxima de se exprimir. O que se pode sentir, desejar, a capacidade de se emocionar, a capacidade de descobrir, tudo o que não existe é a possibilidade de colocar em evidência no discurso um encadeamento linguístico. Inteligência vai portanto até que nossas possibilidades semióticas a neguem a passagem "até aqui está bom".
Contudo há também o que não é inteligência... porque em todo nossa maneira linguística desenvolvemos uma ambivalência corriqueira: aquilo que é, e aquilo que não é. Se existem outras maneiras que não a ambivalente de olhar para uma situação, estaremos por descobrir no futuro.
Se então há a inteligência deve haver, no mesmo discurso do que é e do que não é, o que está além que faz a inteligência expandir ou contrair por exemplo. Há algo que está ali e não está, algo que não é pronunciável.
Tudo que não está no nosso catálogo linguístico não existe. Mas aí está quase o abismo de um argumento em que me faço perguntar, o que é o "não existir", se existe o não existir. E ele está ali, o não existir, bem ali, algumas palavras atrás. Se isso é garantia de sua existência, não é questão de meritória arguição...
sábado, 17 de maio de 2014
Uma volta para a caixa de memória
Seis meses sem aparecer aqui no blog, a caixa das memórias. Fiquei até preocupado, desisti, pensei. Nossa, finalmente, desisti. Cresci. Mudei. Deixei essas coisas menores, sem importância. Quem tem tempo pra escrever memórias (de gente desimportante e sem-graça), quem tem tempo pra escrever sobre si, perguntou um amigo meu com escárnio, esperando de resposta os desocupados. Então eu finalmente pensei: é isto, estou inserido na sociedade, agora me ocupei, me ocupei de coisas importantes e notáveis que fazem a sociedade evoluir, pois que não tenho tempo nem mais subjetivo suficiente pra escrever um blog com textos. Mas agora pensei se desisti das memórias, da subjetividade que estava neste blog, do ato de escrever. Ou se, simplesmente como disse mudei. Mudei é uma palavra mágica. Era mudar verbo intransitivo. Magina, quandé que amar vai ser lá intransitivo, tão exigentes como somos e grandiloquentes no amor, amor todo cheio, amor gordo, amor lascívio de condições, de quereres, de necessidades, de imposições. Amar verbo transitivo sim senhor. Mudar é que parece que não precisa de nenhum contexto ao seu redor. Mudei e ponto final (mas como? mas oi?). Porque "mudei" não quer dizer nada. (E quem é que muda alguma coisa?).
Pois é, seis meses de abstinência, ao final voltando à mesma subjetividade. Porque quem é que disse que tristeza passa. Quem é que disse que solidão passa. Quem é que disse que não ter amigos passa. Essas dificuldades da vida, que como disse o poeta são meio que dores de concha extraviada. Alguém por acaso já viu concha extraviada voltar a dar abrigo pra quem extraviou. É porque do mesmo jeito, alguém já viu ter abrigo para a solidão. Para a existência de tristezas, para a dificuldade de comunicação com as pessoas. A concha extraviada, segue o poeta, é o que sou, sou muitas pessoas destroçadas, sempre que as nuvens, estando no céu, me cruzam de arribação. Uma dor de pedaços que não voltam. A xícara se quebra, não se reconstrói. Como se vê num filme: es como si... se me hubiera roto algo adentro... que ya no sé si tiene arreglo.
Turandot desafiando o príncipe ignoto, ed ogni note nasce ed ogni giorno muori, la speranza. E sua irmã gêmea, a tristeza (da esperança), que, morre com Dido
"When I am laid, am laid in earth, may my words create no trouble in thy breast...
Remember me, but AH! Forget my fate..."
Tristeza que se lembre de mim, pelo amor de Deus, mas AAAAAAH! Apague (esqueça) meu destino...
Está aí... a tristeza. Ou uma pequena parte das reminiscências da tristeza, escritas na discursividade hoje.
Pois é, seis meses de abstinência, ao final voltando à mesma subjetividade. Porque quem é que disse que tristeza passa. Quem é que disse que solidão passa. Quem é que disse que não ter amigos passa. Essas dificuldades da vida, que como disse o poeta são meio que dores de concha extraviada. Alguém por acaso já viu concha extraviada voltar a dar abrigo pra quem extraviou. É porque do mesmo jeito, alguém já viu ter abrigo para a solidão. Para a existência de tristezas, para a dificuldade de comunicação com as pessoas. A concha extraviada, segue o poeta, é o que sou, sou muitas pessoas destroçadas, sempre que as nuvens, estando no céu, me cruzam de arribação. Uma dor de pedaços que não voltam. A xícara se quebra, não se reconstrói. Como se vê num filme: es como si... se me hubiera roto algo adentro... que ya no sé si tiene arreglo.
Turandot desafiando o príncipe ignoto, ed ogni note nasce ed ogni giorno muori, la speranza. E sua irmã gêmea, a tristeza (da esperança), que, morre com Dido
"When I am laid, am laid in earth, may my words create no trouble in thy breast...
Remember me, but AH! Forget my fate..."
Tristeza que se lembre de mim, pelo amor de Deus, mas AAAAAAH! Apague (esqueça) meu destino...
Está aí... a tristeza. Ou uma pequena parte das reminiscências da tristeza, escritas na discursividade hoje.
sábado, 16 de novembro de 2013
Phedre
Quelle plainte en ces lieux m'appelle...
Hippolyte n'est plus.
Il n'est plus, oh! Douleurs mortelle(...)
Os versos de Fedra de Racine de Rameau, que hoje sei seu sentido... O que queria com
súplicas desesperadas.
Finalmente o significado da morte de Fedra, o tenho.
Os deuses não a estavam punindo, estavam-na ao invés
libertando...
Fedra pede... alucinada, gritando, num desespero estonteante
"Ah! si vous êtes équitables,
ne tonnez pas encore sur moi.
La gloire d'un Héros que l'injustice opprime."
Fedra morre. Morre e se revela.
"Laissez-moi révéler à l'auteur de ses jour
et son innocence et mon crime."
Punição é pr'aqueles que ficam: ficam com sua história...
Os deuses congelam.
"Oh! Remmords superflus?
Hippolyte n'est plus."
Hippolyte n'est plus.
Il n'est plus, oh! Douleurs mortelle(...)
Os versos de Fedra de Racine de Rameau, que hoje sei seu sentido... O que queria com
súplicas desesperadas.
Finalmente o significado da morte de Fedra, o tenho.
Os deuses não a estavam punindo, estavam-na ao invés
libertando...
Fedra pede... alucinada, gritando, num desespero estonteante
"Ah! si vous êtes équitables,
ne tonnez pas encore sur moi.
La gloire d'un Héros que l'injustice opprime."
Fedra morre. Morre e se revela.
"Laissez-moi révéler à l'auteur de ses jour
et son innocence et mon crime."
Punição é pr'aqueles que ficam: ficam com sua história...
Os deuses congelam.
"Oh! Remmords superflus?
Hippolyte n'est plus."
Barulho
Tanto barulho por nada.
Nada. E o barulho que fazem.
Barulho, barulho, barulho. Só barulho, mais nada.
Barulho e passa. Silêncio.
Muito barulho e mais nada.
Depois do barulho, nada.
Nada. E o barulho que fazem.
Barulho, barulho, barulho. Só barulho, mais nada.
Barulho e passa. Silêncio.
Muito barulho e mais nada.
Depois do barulho, nada.
Salto ortonormal.
Tinha o salto alto e tinha o salto normal. O bolo diet e o bolo normal. O chocolate light e o chocolate normal. O top sundae e o sundae normal. A cobertura extra ou a cobertura normal. O apartamento (não a cobertura) grande e o apartamento normal. O cachorro manhoso e o cachorro normal. A personalidade problemática e a normal. A emblemática e a normal. A soturna e a normal... a sorridente e a normal.
Era normal.
E você, coca zero ou coca normal? Fanta, meu querido, é claro...
Porque sim... de perto, bem de perto o normal era pra dizer tudo aquilo que não era... Era um abuso de tudo que se queria contrapor apenas (e que, ao se contrapor ganhava a fama: normal) e não aceitava a diferença.
Era normal.
E você, coca zero ou coca normal? Fanta, meu querido, é claro...
Porque sim... de perto, bem de perto o normal era pra dizer tudo aquilo que não era... Era um abuso de tudo que se queria contrapor apenas (e que, ao se contrapor ganhava a fama: normal) e não aceitava a diferença.
domingo, 25 de agosto de 2013
Experiências
Algumas experiências são deste tipo: não sei onde me começo e onde me termino. Em algumas experiências, uma subjetividade intensa nova violenta o corpo, rasga-o, o destrói, o corpo acostumado com o repousar em seu subjetivo. Entra à força, abrindo caminho qual animal selvagem no debandear da manada. Que no fim se diz, alguma coisa ficou a mais em mim (e está independente da pergunta se gosto, se quero e o que é). Algumas experiências, aquelas em que ter controle de si sumiu.
Há neste momento algo em mim. Algo que, parece, terei de vomitar. Ou não sairá.
Há neste momento algo em mim. Algo que, parece, terei de vomitar. Ou não sairá.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
domingo, 4 de agosto de 2013
Sorteio das palavras
Jogo com começo-meio-fim. Truque na é sentido frase fazer. Palavras ordem sorteadas as são sem. Interpretar perde se se mas problema não há: sorteio é novo fazer um.
Amor
Visceral é o amor
certeiro no peito a faca crava
com força afunda recado à dor
o peito que se inocente era, deflorou
visceral é amar
amar sem amor pra
amar e se propor a amar
e se opor a mar
com fundo perdido
peito aberto ferido
esta imagem do outro, amar
amar-se sobretudo de espelho.
amar de mar balança em rebeldia
amor que é desobedecer.
certeiro no peito a faca crava
com força afunda recado à dor
o peito que se inocente era, deflorou
visceral é amar
amar sem amor pra
amar e se propor a amar
e se opor a mar
com fundo perdido
peito aberto ferido
esta imagem do outro, amar
amar-se sobretudo de espelho.
amar de mar balança em rebeldia
amor que é desobedecer.
Sou eu
Sou eu, o fracasso, bom dia. Um desajuste. Uma negação da inteligência. Sou o acontecimento obscuro, a face que não se quer mostrar, o que não se quer olhar. Há muita elegância em não se ser nada, repara. Há uma elegância irrestrita, que poucos atinge, a elegância do que é aparte. Do que não se integra. Mas se bem se pensa. Esta elegância é toda nossa. É tudo o que temos. De nos sentirmos fragmentados em pequenos pedacinhos incomunicáveis. Entre si e com os outros. Mas não era isso. Era o desajuste. Não há grande coisa em se sentir um desajuste. Em não fazer nada. Em não vencer na vida (como é que se vence na vida? Seria caso de ler verbete em dicionário: "vencer na vida"). Qualquer um faz isso em tentar não fazendo nada. Não faço nada. E não achei a elegância nisso. O truque é contudo tentar ansiosamente e falhar. Aí está.
Dizemos ainda, contudo... tentar e falhar, é fácil também qualquer um o faz.
Bom então a pequena elegância esteja em seguir tentando e falhando. Mas é coisa de quem está predisposto a respirar, seguir tentando. Oras. Me escapou a beleza... Porque acabo vendo que... naquilo que me era único, que eu era diferente... é o que todos somos iguais.
Dizemos ainda, contudo... tentar e falhar, é fácil também qualquer um o faz.
Bom então a pequena elegância esteja em seguir tentando e falhando. Mas é coisa de quem está predisposto a respirar, seguir tentando. Oras. Me escapou a beleza... Porque acabo vendo que... naquilo que me era único, que eu era diferente... é o que todos somos iguais.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Eu e você
Se meu pesar é o seu.
Se minha tristeza é a sua.
Se o meu maior choro é o seu.
E você continua
achando que somos diferentes?
E você continua
achando que estamos longe?
Se minha alegria é da sua.
Se minha vida é mera cópia da sua.
Se meu sentimento é o seu.
E você continua
achando que não me importo?
E você continua
achando que estou alheio e gosto?
Não é. É apenas diferente. Diferente
como eu não posso explicar.
Diferente como o caminho seguiu.
Mas...
se olha pra mim e vai chorar.
E eu não faço nada.
Repara.
É porque se destruiu o meu coração.
Não porque ele não está ali.
Se minha tristeza é a sua.
Se o meu maior choro é o seu.
E você continua
achando que somos diferentes?
E você continua
achando que estamos longe?
Se minha alegria é da sua.
Se minha vida é mera cópia da sua.
Se meu sentimento é o seu.
E você continua
achando que não me importo?
E você continua
achando que estou alheio e gosto?
Não é. É apenas diferente. Diferente
como eu não posso explicar.
Diferente como o caminho seguiu.
Mas...
se olha pra mim e vai chorar.
E eu não faço nada.
Repara.
É porque se destruiu o meu coração.
Não porque ele não está ali.
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