Onde andará Dilmar?
Por anda Dilmar? Tem família, tem filhos, tem uma filha de nome Clara? Clarice? Onde estará, onde estará, que dirá, que dirá, que diria se um dia me vir de novo? Oi, você se lembra de mim? O que você faz agora? Eu casei e tenho uma filha de nome Clara. Já olhava com ansiedade pra essa cena. O que acontece, o que deveria dizer. E você, o que fez, se graduou, casou, matou, que fez de sua vida, pois bem, estudei, estudei e continuo.
Por onde andará Dilmar?
Chamo seu nome baixinho: Dilmar? Baixinho, quase um silêncio, só para mim mesmo, sem ninguém ouvir: Dilmar? Falo em tom mais forte agora quase pra iniciar uma conversa. Dilmar? Energicamente sigo prostrado com a resposta silente, Dilmar? Finalmente grito a plenos pulmões e chego a assustar as pessoas: DILMAAAAAAAARRRRRR???
Silêncio.
When I am laid in earth, may my words create no trouble in thy breast...
Remember me, oh yes, remember me but AH! Forget my fate...
sábado, 28 de maio de 2016
quinta-feira, 5 de maio de 2016
Nossa esperança com elas.
E em meio a tudo isso, uma cassação às bruxas dos políticos, metade da classe política envolvida em escândalo outra metade com pacto com diabo, as histórias vão acontecendo. Como a história do poliamor entre Ana, Veronica e Nina, a história de amor entre Nina e Veronica que virou poliamor da Ana, três se amando sem caber.
Não há cabimento para o poliamor. Poliamor, como todo e qualquer amor não cabe.
E no meio desta baixaria que estamos passando no país, vou lendo a história de poliamor de Ana, Nina e Veronica, porque a beleza acaba aparecendo por aí desapercebida, a história dos dramas, dos medos, das angústias e dos conflitos poliamorosos sem cabimento delas. Porque amor se ou não poli, não cabe.
Passa no meio de tudo isso, se entremeia nas histórias das sujeiras coletiva, limpando o tecido da esperança.
Nossa esperança é com elas.
http://piaui.folha.uol.com.br/materia/cenas-de-um-casamento/
Não há cabimento para o poliamor. Poliamor, como todo e qualquer amor não cabe.
E no meio desta baixaria que estamos passando no país, vou lendo a história de poliamor de Ana, Nina e Veronica, porque a beleza acaba aparecendo por aí desapercebida, a história dos dramas, dos medos, das angústias e dos conflitos poliamorosos sem cabimento delas. Porque amor se ou não poli, não cabe.
Passa no meio de tudo isso, se entremeia nas histórias das sujeiras coletiva, limpando o tecido da esperança.
Nossa esperança é com elas.
http://piaui.folha.uol.com.br/materia/cenas-de-um-casamento/
quarta-feira, 20 de abril de 2016
Preghiera
Nossa senhora da Butterfly, dos amores desesperados-extraviados-estraçalhados-naufragados, valei-me.
sábado, 16 de abril de 2016
Diálogo
Quem está disposto ao diálogo, pagará com o próprio corpo!
(Estamos oferecendo isso a vocês, nosso próprio corpo,
que é tudo que temos, e que temos certeza não os podem
tomar para si, podendo no máximo tirá-lo de nós).
Quem está disposto ao diálogo, perderá completamente o juízo e será torturado.
Quem está disposto ao diálogo, pode pagar com a vida.
Quanto a quem não está disposto ao diálogo... é porque já está morto.
Coragem!
(Estamos oferecendo isso a vocês, nosso próprio corpo,
que é tudo que temos, e que temos certeza não os podem
tomar para si, podendo no máximo tirá-lo de nós).
Quem está disposto ao diálogo, perderá completamente o juízo e será torturado.
Quem está disposto ao diálogo, pode pagar com a vida.
Quanto a quem não está disposto ao diálogo... é porque já está morto.
Coragem!
terça-feira, 15 de março de 2016
Gilda
Cansado da Gilda do Rigoletto, soprano coloratura, parece que a história de uma mocinha docinha, frágil, feita pra casar com um varão bíblico. Patriarcalismo maior não tem...
Então vamos lá, porque não Gilda, soprano dramática, loka da b***** e da paixão, tão loka por um traste insuportável disposta ao suicídio? Força, dramaticidade, loucura, paixão, extremismo mais do que candura ao papel, no caso... Chega dessas Gildas "Nathalie Dessay, Diana Damrau, Lily Pons, Edita Gruberova..." Queremos ver sangue, queremos vibratto estridente...
Mas aí acabei descobrindo que ando 70 anos em atraso, talvez não em representações do feminino, mas em produção da ópera efetivamente.
Bravo Toscanini.
quarta-feira, 9 de março de 2016
Ponteiro
Dormir,
algo na noite escura
cama debruça
o tempo negocia
mais tempo
escorrem os últimos sonhos
passam apressados
sem muita forma
meio ao acaso
nem lirismo
qualquer resposta
toca trim, trim
Rencanto.
O tempo (é o despertador)
boceja nosso corpo
preguiçoso
sem saber se leva ou não
recosta indeciso
o que fazer hoje.
Tolo.
Uma silhueta
Arranca de seu peito,
coração na mão
tempo ensanguentado.
Enganado.
O golpe, o dá
revela
uma madame perfumada
algo na noite escura
cama debruça
o tempo negocia
mais tempo
escorrem os últimos sonhos
passam apressados
sem muita forma
meio ao acaso
nem lirismo
qualquer resposta
toca trim, trim
Rencanto.
O tempo (é o despertador)
boceja nosso corpo
preguiçoso
sem saber se leva ou não
recosta indeciso
o que fazer hoje.
Tolo.
Uma silhueta
Arranca de seu peito,
coração na mão
tempo ensanguentado.
Enganado.
O golpe, o dá
revela
uma madame perfumada
de nome destino.
Risco de vida
me anunciaram de manhã
risco de vida:
porque estou cheio de palavras
entupimento curricular
escrevo
descendo a encosta
coli(u)na desalinhado(a)
trôpega, irregular
cambaleia.
acabei meio surdo
de vogais semivogais
e ando meio farto
de vozes meia-voz
de tempos em tempos
infarto.
risco de vida:
porque estou cheio de palavras
entupimento curricular
escrevo
descendo a encosta
coli(u)na desalinhado(a)
trôpega, irregular
cambaleia.
acabei meio surdo
de vogais semivogais
e ando meio farto
de vozes meia-voz
de tempos em tempos
infarto.
Risco
Frase riscada,
marca-passo
Parado
Amaldiçoada
Passo marca
faz, faz
o tempo,
desfaz.
Tempo faz
o próprio desfaz
ritmo
lento
de próprio
tempo
a métrica
estática.
marca-passo
Parado
Amaldiçoada
Passo marca
faz, faz
o tempo,
desfaz.
Tempo faz
o próprio desfaz
ritmo
lento
de próprio
tempo
a métrica
estática.
domingo, 21 de fevereiro de 2016
Só-apenas, sozinho-só
Já se pode sentir só, sim, sim, sentir-se Só,
Só se pode sentir só, sim, sim, sentir-se Só, Só, só
brio sentir-se Só, em
bria
gado mal
trata
dó sem dó Só-só,
sem ninguém estar só,
Só se pode sentirem só
vincados de desejos sós
de nuvens de margaridas, de pó
sentindo Ssó.
Só se pode sentir só, sim, sim, sentir-se Só, Só, só
brio sentir-se Só, em
bria
gado mal
trata
dó sem dó Só-só,
sem ninguém estar só,
Só se pode sentirem só
vincados de desejos sós
de nuvens de margaridas, de pó
sentindo Ssó.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
A mentira da Preguiça
A maior mentira de todos os séculos é a mentira da preguiça.
Preguiça é uma palavra mentirosa e poderosa. Quando a palavra preguiça é dita em voz alta, mais propriamente, quando o fulano diz para o cicrano 'a sua preguiça', junto com ela vem um véu de mentira que esconde vastas coisas por 5 ou 6, ou talvez mais séculos (pra nós são 5).
A mentira da preguiça foi contada aqui pela primeira vez por portugueses quando chegaram ao nosso subcontinente. Porque foi o europeu que disse neste português que escrevemos, ele disse sub, e naquela época sub se chamou, e sub ficou, já pensamos desde cedo, sub que somos, acometidos no espaço pequeno de ser sub. Indolentes.
Pra justificar a superioridade dos que não tem natureza indolente e preguiçosa, criar contraposição, os preguiçosos, índios. Daí seguiram com os preguiçosos negros. Depois, bem depois, nasceu também os preguiçosos brasileiros. Hoje além destes todos a gente tem também os preguiçosos pobres, é claro. Os ricos como sabemos são árduos trabalhadores e meritocraticamente-eticamente entitulados à sua fortuna por seu bom trabalho e de seus descendentes diretos ou indiretos. "Sim, tem tudo isso, toda esta riqueza, mas trabalhou sabe? A vida inteira por três turnos, quatro se deixassem. E a família toda é assim." A mentira da preguiça limpa bem as consciências dos que não conseguem justificar riqueza. Uma vassourada bem trabalhada.
Ou podemos dizer "esta gente misturada, preguiçosa", fazendo apologia a todas estas quatro imagens-figuras, com incrível poder de síntese.
Na história, a ordem cronológica do aparecimento dos preguiçosos variou do supracitado, mas hoje nos é claro este quadro. É claríssimo aliás. Quando a palavra preguiça é dita, junto com ela segue o rabo: "índio-preto-brasileiro-pobre", nesta ordem de imagens talvez. Isto é tão poderoso que mesmo com 500 anos de história contadinha-vividinha em dias-e-dias-e-dias mais de 170 mil, milhões e milhões de horas de milhões e milhões de brasileiros conversando num imenso continente, um barulho inexorável capaz de pagar qualquer ideia forte que seja, poderíamos dizer, mas esta mentira é tão poderosa e tão forte que 500 depois continua sendo a primeira imagem que surge pra gente quando a gente conta nos dedos a preguiça.
É de estória em estória, de jargão em jargão, de tradição em tradição, transmitida de pai pra filho, filho pra neto, bisneto que a emoção nos é passada... As palavras vão girando, girando, girando umas nas outras ao longo dos tempos, e vamos ministrando bem essa oração.
A mentira da preguiça da natureza indolente é dominante, gostosa, mantenedora de status quo. É aquela que diz que a natureza das pessoas, AQUELAS pessoas é a indolência e a preguiça, aquela que fundamentalmente se usa deste argumento para gerar dominação: social, trabalhista, capital, sentimental, psicológica, religiosa.
(A preguiça também se sofistica em certos círculos sociais com certo requinte ou não. Você precisa ser mais pró-ativo. Sair da sua zona de conforto. Precisa ser criativo. Fracassou? Não tentou com suficiente aplicação à causa, não dedicou horas/dias/semanas/meses/anos suficientes. Ainda hoje corre nas ruas uma também de que "é só se esforçar que você vai chegar lá". Dizem que é uma preguiça do capital.)
Que preguiça eu tenho do capital. Preguiça capital, de tudo isso, preguiça daquelas de se afundar no sétimo inferno de Dante.
Sugiro escrever a palavra preguiça sempre riscada daqui por diante com o comentário "mas é mentira tá gente?" em tamanho de fonte de nota-de-rodapé.
Porque afinal de contas com tantos monstros andando no meio da gente há tanto tempo. E precisamos rir com coletividade deles com um gosto-gostoso um sabor docinho-azedo, de nossa preguiça. Porque quem precisa dar nome à preguiça, quem precisa negar preguiça, quem precisa "eu não sou preguiçoso", quem precisa "porque el@ é preguiços@". Este desespero, quem precisa, precisa para criar dominação e exclusão.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
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