sexta-feira, 1 de junho de 2012
Na madrugada
fechar os olhos e ali está o infinito. Infinito tudo. Infinita música, infinita beleza, infinita tristeza. Infinitas palavras, infinitos pensamentos, infinitas inquietudes.
Estranho haver tudo aquilo. Um tudo tão tudo, tudo pesado. Pesadíssimo. Há e não há, por haver só pra mim. O que há só pra mim existe de fato?
Uma dispersão. Um colapso. Outra dispersão, outro colapso.
Possibilidade é o indefinido: infinito não-contável. Infinito real: continuum, não correlacionável.
Escolha é colapso: O Universo e tudo que existe nele.
Possibilidade é não existir. Colapso existir.
Uma questão semântica
é ir ou vir. Vir ou ir sem referencial é no indefinido (de lá se diz venha, de cá "se digo" vou). No indefinido que se contornam grandes dilemas. Falta lá fluxo. Falta lá colapso. Falta lá o tempo.
Tempo: ir e vir. Tempo agrega. Pesa. Ir e vir.
Ir e vir reto. Indefinido curvo.
Ir e vir verbo ser. Indefinido verbo espalhar.
Tempo de ir e vir: 5 segundos. Tempo do indefinido: indefinido.
Espaço pra ir e vir: mundo, Universo e todas as coisas. Espaço do indefinido: o infinito não contável.
Tempo: ir e vir. Tempo agrega. Pesa. Ir e vir.
Ir e vir reto. Indefinido curvo.
Ir e vir verbo ser. Indefinido verbo espalhar.
Tempo de ir e vir: 5 segundos. Tempo do indefinido: indefinido.
Espaço pra ir e vir: mundo, Universo e todas as coisas. Espaço do indefinido: o infinito não contável.
Confiança
Confiança é um conceito abstrato. Um conceito de compreensão, mais complexo que a compreensão do outro mundo (sim, porque é muito verdade que devemos deixar o outro mundo em paz, porque o mistério está neste, disse o Quintana).
Confiança é quando se deposita alguma esperança em alguém a fundo perdido. Em geral é uma alternativa de desespero: só se usa de confiança quando não há mais nenhum recurso disponível.
Então a vida requer que confiemos. Porque os recursos próprios que dispomos, para controlar as circunstâncias que nos rodeiam são absolutamente escassos. Na verdade, temos uma ilusão barata de controle de circunstâncias de nossa vida, mas é bem barata este ilusão, de fato não controlamos nada. Ou quase nada. Então, para todo o resto há uma confiança. Uma confiança cega, se pode dizer.
Confiança é o papel que se paga pela existência. Existir demanda confiar.
Confiança é quando se deposita alguma esperança em alguém a fundo perdido. Em geral é uma alternativa de desespero: só se usa de confiança quando não há mais nenhum recurso disponível.
Então a vida requer que confiemos. Porque os recursos próprios que dispomos, para controlar as circunstâncias que nos rodeiam são absolutamente escassos. Na verdade, temos uma ilusão barata de controle de circunstâncias de nossa vida, mas é bem barata este ilusão, de fato não controlamos nada. Ou quase nada. Então, para todo o resto há uma confiança. Uma confiança cega, se pode dizer.
Confiança é o papel que se paga pela existência. Existir demanda confiar.
Menor
Gosto de chuva, quero.
Gosto violeta na boca, quero.
Gosto de marca no rosto, quero.
Gosto vermelho rasgando, quero.
Horizonte amarelo ondulante, quero.
Não querer fechar os olhos, quero.
Frio trincante, estilhaçador, quero.
Novo de nada e começo, quero.
Gosto violeta na boca, quero.
Gosto de marca no rosto, quero.
Gosto vermelho rasgando, quero.
Horizonte amarelo ondulante, quero.
Não querer fechar os olhos, quero.
Frio trincante, estilhaçador, quero.
Novo de nada e começo, quero.
Militância e Luta
Militância não porque o mundo seja um lugar bonito. Não pra torná-lo um lugar melhor. Militância a fundo perdido.
Militância porque não saber como é o mundo daqui pra frente. Só como ele não tem que ser.
Não porque ele não vá se tornar isso. O mundo vai se tornar, aquilo que se luta contra. O que se luta contra e irá se tornar: o que se luta contra.
Militar que não se afiliar a um movimento voltado pra esta ou aquela causas. Militar que seja se manter atento.
O mundo é horrível. As pessoas são horríveis. Nós. Não tenho nenhuma esperança de que o mundo se torne um lugar melhor. Militância e luta porque é a única coisa que sei fazer...
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Ausência
Que grande ausência de 6 meses.
Acho que não tenho mais nada pra escrever.
Seco por dentro, deve é ser.
Ou é muito trabalho pra fazer nos últimos tempos. É sério esse negócio de muito trabalho. Nunca se descança. Claro que, temos que trabalhar o tempo todo. Se der pra trabalhar 80 horas na semana, melhor. Nos podemos definir enquanto justiça por quanto trabalhamos. Quanto mais se trabalha, mais justo se é. E nem se trata de qualificar um workaholicismo, mas é fato que vivemos um ápice calvinista: tudo é justificado pelo trabalho e pela ganância de trabalhar mais. Se você não se adapta: babaus, é um sujeito mau.
Acho que não tenho mais nada pra escrever.
Seco por dentro, deve é ser.
Ou é muito trabalho pra fazer nos últimos tempos. É sério esse negócio de muito trabalho. Nunca se descança. Claro que, temos que trabalhar o tempo todo. Se der pra trabalhar 80 horas na semana, melhor. Nos podemos definir enquanto justiça por quanto trabalhamos. Quanto mais se trabalha, mais justo se é. E nem se trata de qualificar um workaholicismo, mas é fato que vivemos um ápice calvinista: tudo é justificado pelo trabalho e pela ganância de trabalhar mais. Se você não se adapta: babaus, é um sujeito mau.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Desgraça
E quando a desgraça chega cedo demais?
Quando chega em tempos de juventude, quando a tragédia vem sem avisar?
Já li há pouco tempo que... "O diagnóstico de uma doença grave e incurável é um abismo no qual você é empurrado sem aviso. E sem pára-quedas. E se você tá esperando um "mas" aqui, sinto lhe informar, não tem. Não no meu caso. Não teve revelação divina. Não teve fé súbita em alguma coisa maior. Não teve uma compreensão mais apurada das dores do mundo. O que dá, assim, de cara, é raiva. Porque a vida já caminha na beirada do insuportável sem essa foice tão perto do pescoço. Porque já é suficientemente difícil estar vivo sem esta sentença de morte lenta e degradante. Dá vontade de acreditar em Deus, sim, mas só se for pra encher Ele de porrada."
Quando a desgraça chega mais cedo, quando bate por aqui ou por ali pela porta da frente, ou às laterais, você se ajunta, conserta a colcha de retalhos que ficou de si... vai consertando com a ajuda de quem te ajuda, não de amigos e amores imaginários, mas só daqueles que te aparecem pra ajudar e amar... Você se levanta e anda como pode, um pouquinho por dia, com a ajuda destas pessoas, que você não fez escolher, que muita vez, não são as pessoas que você queria escolher pra tar do seu lado nos momentos mais dolorosos, que muita vez, não são nada disso, só calhou a ironia da vida em mostrar que não te cabe decidir quem são os bons e os ruins. Que muita vez, são as pessoas que estão ali te estendendo a mão, apenas, elas não são as mais beatas, nem as mais boazinhas, muito menos as mais politicamente corretas...
Bom, eu gostaria de desejar a todas as pessoas que eu conheci que conheceram doenças que lhe interromperam alguma esperança sobre a vida... gostaria de lhes desejar o melhor, sem saber o que isto significa ao certo. Um desejo capenga...
Penso constantemente nestas que encontrei, e nas que não encontrei, com um desejo de paz... o mesmo desejo da faxineira preta-preta-preta que no descuido do destino que sussurrava guloso enquanto engolia seu existir, de roubar uns momentos de descuido.
Roubar uns momentos de descuido de um destino pesado. Uma hora, um dia, um mês, um ou alguns anos, ou uma vida de descuidos. É este o meu desejo...
sábado, 22 de outubro de 2011
Oh Mensch!
Oh Mensch! Oh Mensch,
Mas ainda bem que tem o Mahler pra consertar tudo... que... no trecho da revelação nietzscheana, coloca uma grande interrogação! Pois no segundo trecho, Mahler acorda do sonho, e a música fica toda trabalhada na tensão! Uma tensão forte até o "tiefer noch als Herzeleid" (maior mesmo que a sua agonia!), sim, afinal, os versos estão a nos dizer, oras, meus pequenos (homens), profunda (incontável, absurda, insuportável) é a sua dor! (O pequenos eu adicionei porque lembrei do Nelson Rodrigues). Maior mesmo que a agonia! (Incalculável, veja-se o drama nietzscheano).
gib acht! Was spricht die tiefe Mitternacht?
Ich schlief, ich schlief - aus tiefem Traum bin ich erwacht -
Ich schlief, ich schlief - aus tiefem Traum bin ich erwacht -
die Welt ist tief und tiefer als der Tag gedacht.
Oh Mensch! Tief!
Oh Mensch! Tief!
Tief ist ihr Weh,
tiefer noch als Herzeleid.
Weh spricht: vergeh.
Doch alle Lust will Ewigkeit,
will tiefe, tiefe Ewigkeit!
Faz tempo que eu queria fazer uns pequenos comentários não especializados (e portanto completamente amadores, de todos os pontos de vista e dispensáveis) sobre esse trecho do Zaratrusta aproveitado pelo Mahler na terceira Sinfonia...
Não sei se se pode dizer que ele é um trecho síntese do pensamento nietzscheano (não se pode!), mas é certo que ele é muito significativo. Significativo pelas certezas a respeito do super homem, ou melhor, do homem que, vivendo pelo presente, vive pela sua própria dor e desgraça. Que, sabendo do abismo inexorável que se aproxima (além de todos os abismos da vida, a morte!), decide se jogar nele rindo e dançando.
Versos simples, leves e belíssimos. Vejamos.
Faz tempo que eu queria fazer uns pequenos comentários não especializados (e portanto completamente amadores, de todos os pontos de vista e dispensáveis) sobre esse trecho do Zaratrusta aproveitado pelo Mahler na terceira Sinfonia...
Não sei se se pode dizer que ele é um trecho síntese do pensamento nietzscheano (não se pode!), mas é certo que ele é muito significativo. Significativo pelas certezas a respeito do super homem, ou melhor, do homem que, vivendo pelo presente, vive pela sua própria dor e desgraça. Que, sabendo do abismo inexorável que se aproxima (além de todos os abismos da vida, a morte!), decide se jogar nele rindo e dançando.
Versos simples, leves e belíssimos. Vejamos.
Tenham cuidado oh homens com o que fala o "misterioso" meia-noite. (O meia-noite fala:)
"dormi, dormi, e de um sono profundo
fui acordado
fui acordado
onde o mundo era um abismo,
maior do que pelo dia dado."
Pois não está já aqui a negação da verdade? A negação da necessidade de determinar o que é o mundo (determinar a verdade), determiná-la tão só e unicamente como um produto de nosso medo de morrer? (E que pra me deixar mais pasmo, aparece como um sonho?)...
Pois não está já aqui a negação da verdade? A negação da necessidade de determinar o que é o mundo (determinar a verdade), determiná-la tão só e unicamente como um produto de nosso medo de morrer? (E que pra me deixar mais pasmo, aparece como um sonho?)...
IRRA!
Dormindo o meia-noite descobre que: o mundo é muito maior do que o que o dia (razão) poderia teorizar (pensar)! Veja-se que metáfora belíssima! E é a noite (meia-noite) quem descobre isso, dormindo!
IRRA-2!
Então, o que o Mahler faz com este primeiro verso? Um misterioso lindíííííííssimo, que, se não é a própria representação de um sonho com revelações (ou revelação, na verdade, de que, o mundo é maior do que "a verdade" pode anunciar - maior do que o que se pode anunciar de fato), é pelo menos uma tentativa de se o expressar. (Acho que os alemães que tem uma tendência irritante a analisar tudo antes de sentir, dizendo qualquer coisa como "boa tentativa temos aqui caro Wilson!"). LINDO! (o primeiro trecho de Mahler é lindo, não os alemães).
Bom, aí continuamos com o segundo trecho, o desenlace, que é onde se situam a diferença entre a música e a poesia, entre puramente Nietzsche e a leitura mahleriana.
Oh homens, profunda é sua dor!
Bom, aí continuamos com o segundo trecho, o desenlace, que é onde se situam a diferença entre a música e a poesia, entre puramente Nietzsche e a leitura mahleriana.
Oh homens, profunda é sua dor!
Êxtase, êxtase! Maior mesmo do que toda agonia!
A dor fala: deixa ir
e todo êxtase à Eternidade se queria!
O desenlace para Nietzsche é: não negue sua dor, não negue seus temores e o medo da vida, o medo da morte, homens, a dor maior do que toda agonia (um êxtase contrário?)...
Mas dentro de tudo isto, o próprio olhar da dor é: "se joga pintosaaaaaaaaaaa"! Se deixe ir na sua dor, carregue ela junto consigo, ao cair no inexorável precipício da vida (oras, você definitivamente acabará morto!), se jogue dançando, bailando, rindo!
Mas dentro de tudo isto, o próprio olhar da dor é: "se joga pintosaaaaaaaaaaa"! Se deixe ir na sua dor, carregue ela junto consigo, ao cair no inexorável precipício da vida (oras, você definitivamente acabará morto!), se jogue dançando, bailando, rindo!
Então, e só então: este é o êxtase a eternidade!
(Magina que exagero nietzscheano! Se eu tivesse vivo nestas alturas vendo ele escrever este último versinho, daria um tapinha na mão dele e ordenaria: corrija! Já!).
Mas ainda bem que tem o Mahler pra consertar tudo... que... no trecho da revelação nietzscheana, coloca uma grande interrogação! Pois no segundo trecho, Mahler acorda do sonho, e a música fica toda trabalhada na tensão! Uma tensão forte até o "tiefer noch als Herzeleid" (maior mesmo que a sua agonia!), sim, afinal, os versos estão a nos dizer, oras, meus pequenos (homens), profunda (incontável, absurda, insuportável) é a sua dor! (O pequenos eu adicionei porque lembrei do Nelson Rodrigues). Maior mesmo que a agonia! (Incalculável, veja-se o drama nietzscheano).
Mas o que é pra Nietzsche o desfecho e a resolução de todos os pobremas, deixem-se cair oh homens nesta dor, na dor da vida, carreguem-se com ela... é pra Mahler... uma PERGUNTA!
Uuuiiiii que dignidaaaadeeeeee!
Sim, meu bem, Mahler quando coloca a mão no trecho "Weh spricht: vergeh" que é a maior personificação do homem que não vive o platônico-socrático-cristianismo, faz isso perguntando, com grande dúvida: e é?
Deixar-se ir? Deixar-se cair nos pequenos abismos, e mesmo no abismo em direção à morte (porque afinal não temos outra saída) dançando, e rindo alto? E é? Em Mahler a certeza de Nietzsche continua como agonia...
Mas como Mahler quer terminar tudo com final feliz, a tensão se resolve quando o êxtase se eterniza (mas acho que faltou explicar qual é este êxtase mahleriano... que em Nietzsche era o "Weh spricht: vergeh").
Qual será o êxtase mahleriano?
(...)
(...)
(...)
Ai cansei dessa vida de pensar coisas inúteis sobre gente morte que ninguém lê ou se importa ou escuta e vou relaxar com a Waltraud Meier.
Ai cansei dessa vida de pensar coisas inúteis sobre gente morte que ninguém lê ou se importa ou escuta e vou relaxar com a Waltraud Meier.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Irene Pós-Bandeira
A faxineira preta-preta-preta, a faxineira que limpava os quadros e as salas das Universidades.
É um martírio irônico (ou um mártire irônico) que a faxineira preta-preta limpando os quadros e o chão das salas das Universidades públicas, os lugares sagrados no Brasil, os lugares em que tudo se pode. Lugares em que tudo se seduz, lugares que te levariam às alturas. Lugares. Um lugar que mais sagrado não há, onde se tudo inventa, onde se fizeram e discutiram mil mundos melhores e mais justos que os melhores teóricos marxistas jamais puderam pensar, onde a vida de todos os cidadãos de uma sociedade está resolvida, onde todas as suas neuroses se encerram ou iniciam. Onde o super homem é inventado, e o homem demasiadamente humano, onde se pesa pondera e escreve mil vade mecuns e justiças. A faxineira preta-preta limpando os quadros e as salas. Vai limpando as justiças empoeiradas de giz no quadro.
E porque não dizer, a faxineira preta-preta que limpa os quadros e as salas, as latrinas, as retretes, as sentinas e os urinóis mictoriados deste lugar cheio de sexualidades, lugar foucaltiano, nietzscheano, beauvoiriano, lugar em que se discute que ninguém nasce mulher, mas pode se tornar mulher. Lugar aristotélico, kantiano, espinoziano, cheio de éticas para os bem-viveres, éticas cristãs, éticas budistas, xintoístas, reformistas, candomblistas, neo-paganistas, cheio de códigos morais.
A faxineira preta-preta vai limpando o quadro de giz.
E num Anel planetário na aula de Cosmologia traz pro lugar infinitos cosmos e a beleza de objetos astrofísicos desconhecidos, objetos sedutores como buracos negros que a tudo aprisionam, objetos dos quais nada escapa a sua vontade: também estes objetos são sugados pela força do apagador da faxineira preta-preta que vai apagando com calma.
A faxineira preta-preta suja de giz escrito: ninguém é sujeito da autonomia de ninguém.
A faxineira preta-preta e o sexo, o sexismo, o machismo, a revolução sexual. A faxineira preta-preta e o seu direito ao sexo, ao orgasmo, o seu direito ao sujeito sexual, à identidade de gênero, tudo isso é muito assegurado sim senhor nas aulas de ética contemporânea, de direito, senão o penal, o civil, senão o civil, o trabalhista, senão o trabalhista, o de família. À faxineira preta-preta, já lhe podem dizer: mas agora você tem o direito ao orgasmo, não é porque a bíblia dizia que não, agora já pode, já lhe é assegurado. A faxineira preta-preta apaga do quadro o direito ao orgasmo.
A faxineira preta-preta entra na aula das histórias gerais dos povos, nas aulas de economia marketing e administrações, entra na época dos palmares e sai na época da palmatória econômica, naquela que asseguram senão o direito à escravidão, o direito à subserviência a um sistema, já assegurado desde os mais mancebos segurares, direito social que alhures não sei aonde, nenhures lhe assegura o nada.
Tudo isto... fica pra trás quando a faxineira preta-preta-preta limpa o quadro, joga o lixo dos rascunhos na vala comum. Fica pra trás junto com tudo o que a faxineira preta-preta tem, uma cidadã de segunda classe, de terceira classe, ou quarta, de quinta categoria nesta Universidade e fora dela, uma invisível. Uma cidadã diferenciada no bairro de Higienópolis.
Era um lugar assim em que a faxineira preta-preta-preta tentava roubar. Roubar do destino dos desvalidados alguns minutos de desatenção sobre a desgraça de seu corpo. Roubar um pouco de sossego, de amplidão pros seio balançantas da vassoura enxarcada no chão, um pouco de descuido de um destino que se regozija com o sacrifício, em especial, daquele em que nada se pode tirar, nem acrescentar que a simples existência.
Porque era mulher. Preta. Feia. Descasada. Porque tivera dois abortos. Porque era pobre. Porque tinha o cabelo ruim. Porque não bastando tudo isto, os instintos básicos: a vida lhe negou todos os orgasmos, aqueles que nunca teve.
Para Guixo.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Dor
O que acontece quando forma em você uma dor com a qual você não consegue se comunicar? Como uma bolha, que fica por ali?
Uma dor que isolada, sozinha, e que nunca quer sair.
Pois bem, o que acontece. Neste momento, em que você não consegue comunicar a dor a si mesmo o mundo pode desabar, as paredes que venham a baixo, o solo que se abra, o sol que nem nasça, e a máxima reacao que você esboca é um "hum" sem pra lá nem pra cá
Depois, no momento em que te desaba a dor, neste precioso momento, é que se é capaz de compreender que todos sao de fato iguais, estando limitados aos seus sofrimentos. Que nao existe a loucura, que ela é nao mais do que o que nós somos. Que os atos de loucura acontecem em nós, acontecem o tempo todo, e apenas damos por eles, quando as condicoes foram de tal maneira propícias que a própria loucura extirpou a dor, extirpou as emocoes.
Que a figura do louco nao faz sentido. Que nao faz sentido falar "eu nao sabia que ele era assim, um monstro, um louco que fuzilou 70 pessoas à queima-roupa."
Essa imagem, distante, separada, extra-terrestre, irreconhecível, de um "ato de loucura" ela nao tem sentido.
Separar esta loucura do que o que somos, como se ela estivesse aquém (ou além) de nós é um grande erro.
Yo estaba bien por un tiempo
volviendo a sonreír
Luego anoche te vi
tu mano me tocó
y el saludo de tu voz
Y hablé muy bien
y tú sin saber
que he estado
llorando por tu amor
llorando por tu amor
Luego de tu adiós
sentí todo mi dolor
Sola y llorando, llorando, llorando
No es fácil de entender
que al verte otra vez
yo esté llorando
Yo que pensé que te olvidé
pero es verdad, es la verdad
que te quiero aun más
mucho más que ayer
Dime tú que puedo hacer
¿No me quieres ya?
Y siempre estaré
llorando por tu amor
llorando por tu amor
Tu amor se llevó
todo mi corazón
Y quedo llorando, llorando, llorando, llorando
por tu amor
volviendo a sonreír
Luego anoche te vi
tu mano me tocó
y el saludo de tu voz
Y hablé muy bien
y tú sin saber
que he estado
llorando por tu amor
llorando por tu amor
Luego de tu adiós
sentí todo mi dolor
Sola y llorando, llorando, llorando
No es fácil de entender
que al verte otra vez
yo esté llorando
Yo que pensé que te olvidé
pero es verdad, es la verdad
que te quiero aun más
mucho más que ayer
Dime tú que puedo hacer
¿No me quieres ya?
Y siempre estaré
llorando por tu amor
llorando por tu amor
Tu amor se llevó
todo mi corazón
Y quedo llorando, llorando, llorando, llorando
por tu amor
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