Então é isso.
O encontro entre Marina Abramovic e Ulay, 20 anos depois é a explosão de uma supernova. O lugar em que tudo acontece e nada pode ser explicado, onde a linguagem se perde... é um exercício de absoluta presença. Presença nas sensações, dores, lembranças, momentos terríveis, presença na última caminhada. Presença num eterno, a presença no desistir de se encontrar a resposta.
É perfeitamente o desistir de se encontrar a resposta.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Espólio
Licença poética para dizer, sobrou um nada sobrou.
Licença poética para dizer que fomos um fomos nada.
Licença poética para dizer que juntos sonhamos nada.
Licença poética para dizer que fomos um fomos nada.
Licença poética para dizer que juntos sonhamos nada.
Licença poética para dizer que desculpa pelo que sou nada.
Licença poética para dizer pela falta que me fez nada.
Peço licença poética finalmente para dizer ao senhor que todo meu sentimento, senhor doutor, foi um grande nada.
Peço licença poética finalmente para dizer ao senhor que todo meu sentimento, senhor doutor, foi um grande nada.
sábado, 16 de março de 2013
Uma volta
"Jogue a cópia da chave
Por debaixo da porta
Pra não ter motivos
Pra pensar numa volta...
Fique junto dos seus
Boa sorte
Adeus..."
Morri hoje quando li isso...
Por debaixo da porta
Pra não ter motivos
Pra pensar numa volta...
Fique junto dos seus
Boa sorte
Adeus..."
Morri hoje quando li isso...
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Fazemos
Porque não importa o que você faz, no final, você sempre está sozinho. Independentemente de.
Marina Abramovic
Uma coisa assim, inexplicável. Passar a vida toda, uma eternidade inteira de cinco anos na confluência do ser junto com outra pessoa. Uma outra pessoa qualquer que está ali junto. Que com ela forma um já-não-sou-mais-eu-sou-outra-coisa-que-me-perdi.
Uma coisa, inexplicável. Não consigo pensar. Não consigo imaginar. Não consigo tatear, não consigo nada. Alguém me dá um verbo pra conseguir?
Inexplicável. Daí um dia, depois de muitos outros, depois que toda a subjetividade de um e dois foi destruída, um dia, eles pensam: não podemos mais... precisamos mais e mais que um e dois, precisamos outros mais que um e dois. Chegam à dolorosa conclusão de um. Dolorosa conclusão.
Claro. Com eles a coisa não iria ser assim, não iria ser a dolorosa conclusão e até logo. Havia um processo, havia algo, uma emergência, um chez bien.
Decidiram-se: cada qual a sua ponta na muralha da China, 5 mil quilômetros de distância aparte. 5000 quilômetros. São 5000000 de metros, 5000000000 de milímetros, 5000000000000 de micrômetros, podes imaginar o que caberia ali?
Cinco mil quilômetros de "não seis", 5 mil de "e o quês", 5 mil de um tudo.
Põem-se a caminhar. Um caminha daqui, outro já vindo de lá e tempo passado os dois estão a chegar no meio. Se encontram, se abraçam com toda profundidade que podem, com tudo que seu pouco corpo deixa, que sua pouca forma deixa, põem à prova naquele ato o seu nada existencial. Aproveita bem leitor, é o último. Desses não haverá mais, nem por séculos e séculos.
O Universo se abraça junto. E então. E então. Então adeus. Até logo não, não sei, nos veremos? Não sei, portanto não até logo, mas adeus.
Eis tudo.
Eis tudo.
Eis tudo.
O que quantificar, o que precisar, o que analisar, com o que ficar, o que descartar, o que demonstrar, o que escrever, o que levar, o que oq euq euq euq euq equequequeuqeqeqqqqqqqqqqqq.
Finalmente o Universo, que naquele momento se abraçado havia, entrelaçado seus infinitos braços, havia retalhado o tecido do espaço e do tempo, soltou-se por todo. Mas sim, demorou uma eternidade, diz-se que vários outros multiversos nasceram e morreram no meio do caminho.
Em tempo de humanos havíamos contado os quase 30 anos entre o Universo cruzar e descruzar os braços. Foi em 2010 que quando finalmente, sem poder se falar, sem poder exercer poderes sobre o outro (lembramos que o Universo relaxou nesta hora), eles batem os olhos um no outro, de novo um pouco por acaso, um pouco por não sabemos o quê.
Marina Abramovic no MoMA em Nova Iorque recebe Ulay. É o fechamento do suicídio de Virgínia Woolf a dizer: "Leonard. Always the years between us. Always the years. Always the love. The hours." Neste preciso momento, neste instante, neste infinitésimo, neste nada, neste grão de coisa nenhuma, neste átimo, as duas pontas do Universo se encontraram.
Ele sorriu satisfeito.
Uma coisa, inexplicável. Não consigo pensar. Não consigo imaginar. Não consigo tatear, não consigo nada. Alguém me dá um verbo pra conseguir?
Inexplicável. Daí um dia, depois de muitos outros, depois que toda a subjetividade de um e dois foi destruída, um dia, eles pensam: não podemos mais... precisamos mais e mais que um e dois, precisamos outros mais que um e dois. Chegam à dolorosa conclusão de um. Dolorosa conclusão.
Claro. Com eles a coisa não iria ser assim, não iria ser a dolorosa conclusão e até logo. Havia um processo, havia algo, uma emergência, um chez bien.
Decidiram-se: cada qual a sua ponta na muralha da China, 5 mil quilômetros de distância aparte. 5000 quilômetros. São 5000000 de metros, 5000000000 de milímetros, 5000000000000 de micrômetros, podes imaginar o que caberia ali?
Cinco mil quilômetros de "não seis", 5 mil de "e o quês", 5 mil de um tudo.
Põem-se a caminhar. Um caminha daqui, outro já vindo de lá e tempo passado os dois estão a chegar no meio. Se encontram, se abraçam com toda profundidade que podem, com tudo que seu pouco corpo deixa, que sua pouca forma deixa, põem à prova naquele ato o seu nada existencial. Aproveita bem leitor, é o último. Desses não haverá mais, nem por séculos e séculos.
O Universo se abraça junto. E então. E então. Então adeus. Até logo não, não sei, nos veremos? Não sei, portanto não até logo, mas adeus.
Eis tudo.
Eis tudo.
Eis tudo.
O que quantificar, o que precisar, o que analisar, com o que ficar, o que descartar, o que demonstrar, o que escrever, o que levar, o que oq euq euq euq euq equequequeuqeqeqqqqqqqqqqqq.
Finalmente o Universo, que naquele momento se abraçado havia, entrelaçado seus infinitos braços, havia retalhado o tecido do espaço e do tempo, soltou-se por todo. Mas sim, demorou uma eternidade, diz-se que vários outros multiversos nasceram e morreram no meio do caminho.
Em tempo de humanos havíamos contado os quase 30 anos entre o Universo cruzar e descruzar os braços. Foi em 2010 que quando finalmente, sem poder se falar, sem poder exercer poderes sobre o outro (lembramos que o Universo relaxou nesta hora), eles batem os olhos um no outro, de novo um pouco por acaso, um pouco por não sabemos o quê.
Marina Abramovic no MoMA em Nova Iorque recebe Ulay. É o fechamento do suicídio de Virgínia Woolf a dizer: "Leonard. Always the years between us. Always the years. Always the love. The hours." Neste preciso momento, neste instante, neste infinitésimo, neste nada, neste grão de coisa nenhuma, neste átimo, as duas pontas do Universo se encontraram.
Ele sorriu satisfeito.
Bahia
Quando eu desci. No céu da Bahia de todos os santos. Vendo as praias deste lado e as praias daquele, a ponta da Barra. Olhei para o céu e deus me disse: vai!
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Destinos
Então quando os (nor)destinos chegavam em São Paulo, chegavam e paravam e ficavam. Quando cada (nor)destino humano era alimentado com sonhos apertados num pau-de-arara, no caravançaraí cheio das lembranças, ou na locomotiva, sonhos apertados nas bagagens, se sonhos de uma vida melhor, se sonhos de um não sei o quê, se sonhos da saudade de casa, se sonhos de um "estou apenas para a viagem e nada mais". Aqueles cheios das esperanças de São Paulo. E a cidade grunhia satisfeita e gulosa, pronta a massacrar a massa de (nor)destinos.
Porque cada (nor)destino humano que chegava em São Paulo toda contra eles, cada desembarque com o olhar no longe, nos milhares de quilômetros, da lonjura de casa (casa, aquela coisa que não sabemos o que é, e que se pode dizer que não existe), levava ali, naquele momento, naquele precioso instante todos os cidadãos do mundo, em sua mala. Os cidadãos do mundo botando o pé na rua manhã-cedo todos os dias pro feitio do existir... Levava ali, naquele precioso instante.
Porque cada (nor)destino humano que chegava em São Paulo toda contra eles, cada desembarque com o olhar no longe, nos milhares de quilômetros, da lonjura de casa (casa, aquela coisa que não sabemos o que é, e que se pode dizer que não existe), levava ali, naquele momento, naquele precioso instante todos os cidadãos do mundo, em sua mala. Os cidadãos do mundo botando o pé na rua manhã-cedo todos os dias pro feitio do existir... Levava ali, naquele precioso instante.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Amar
é como ter um pássaro pousado no dedo. Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, a qualquer momento, ele pode voar.
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Espaço para a tristeza e para o luto
Espaço para a tristeza e para o luto, drama.
Estamos todos irremediavelmente sozinhos. Nascemos sozinhos, morremos sozinhos. Não há fato nesta existência que se possa dizer aconteceu por isto. Acontece. Eist tudo. Estamos todos irremediavelmente perdidos. Perdidos num mar de silêncio. De incomunicabilidade. O essencial é incomunicável.
Espaço para tristeza e para o luto, o amor.
O amor acontece como um casulo, sempre na forma casulo. Está sempre casulando. Não sai da forma inicial. Não há se quer reconhecimento possível para amor que se queira sair da fase original de si mesmo.
Espaço para a tristeza e o luto, a vida a negativa.
A vida acontece como um erro de tudo. Acontece como o erro das probabilidades deste mundo. A vida, que, o que começou, porque começou. Ou como. A vida é um descuido. Um borrãozinho.
Espaço para a tristeza e o luto, a vida a positiva.
E acontece irreparável, com força avassaladora. Acontece com ou sens permissões. Com ou sens caracterizações. Com ou sens choques, com ou sens
Espaço para a tristeza e o luto, o silêncio.
No silêncio todos os espaços se encontram. Se encontram portanto misturando uns cons outros perdendo-se. Perdem-se em silêncio.
Espaço para a tristeza e o luto, a coragem.
A vulnerabilidade é o que nos conecta uns aos outros. Sermos todos vulneráveis e suscetíveis, sermos esta vida, esta aparência física, tão remota, sermos esta fragilidade absoluta, esta que a morte toda hora se oferece é o que nos conecta.
Coragem é nunca querer se separar disto.
Separar-se disto é estar novamente vulnerável e portanto retornar ao espaço da vulnerabilidade.
Estamos todos irremediavelmente sozinhos. Nascemos sozinhos, morremos sozinhos. Não há fato nesta existência que se possa dizer aconteceu por isto. Acontece. Eist tudo. Estamos todos irremediavelmente perdidos. Perdidos num mar de silêncio. De incomunicabilidade. O essencial é incomunicável.
Espaço para tristeza e para o luto, o amor.
O amor acontece como um casulo, sempre na forma casulo. Está sempre casulando. Não sai da forma inicial. Não há se quer reconhecimento possível para amor que se queira sair da fase original de si mesmo.
Espaço para a tristeza e o luto, a vida a negativa.
A vida acontece como um erro de tudo. Acontece como o erro das probabilidades deste mundo. A vida, que, o que começou, porque começou. Ou como. A vida é um descuido. Um borrãozinho.
Espaço para a tristeza e o luto, a vida a positiva.
E acontece irreparável, com força avassaladora. Acontece com ou sens permissões. Com ou sens caracterizações. Com ou sens choques, com ou sens
Espaço para a tristeza e o luto, o silêncio.
No silêncio todos os espaços se encontram. Se encontram portanto misturando uns cons outros perdendo-se. Perdem-se em silêncio.
Espaço para a tristeza e o luto, a coragem.
A vulnerabilidade é o que nos conecta uns aos outros. Sermos todos vulneráveis e suscetíveis, sermos esta vida, esta aparência física, tão remota, sermos esta fragilidade absoluta, esta que a morte toda hora se oferece é o que nos conecta.
Coragem é nunca querer se separar disto.
Separar-se disto é estar novamente vulnerável e portanto retornar ao espaço da vulnerabilidade.
domingo, 28 de outubro de 2012
Solidão
Escrever sobre a própria solidão como o leit motif da vida enquanto escuta, sozinho, depois de um final de semana extenuadamente sozinho, os Intermezzi de Brahms. Talvez seja esta uma prova cabal de que a solidão é a pedra chave de nossa vida. Talvez não só da minha.
Sentir-se só. Absoluta e completamente só em todas as suas mínimas características e reminiscências de memórias... em toda a sua subjetividade perceber que não encontra par no mundo pra se compartilhar. Que o compartilhamento de si é uma descontinuidade ab-rupta. Ininterrupta. Em tudo aquilo que importa, em todo o micro-universo de sua consciência, sentir-se isolado e incomunicável. Há ali afinal uma prisão maior do que outras quaisquer prisões: a de ser livre, mas não se poder comunicar. Não simplesmente existencial, não de simplesmente haver liberdade (sem saber se o há), e portanto angústia. A solidão maior que não seja a existência de si, mas a incomunicabilidade. O mundo interior, fechado pra si. A linguagem externa sempre tateando. Tateando emoções, sensações. Nos ludibriando com um conceito inventado, a verdade. A verdade, o conceito inventado pra nos dar segurança. Não há nestas nossas pequenas memórias nada mais falso que o próprio conceito da verdade. Porque parece colocado a mão neste fluxo ininterrupto pra descortiná-lo com a forma final, a verdade. Mas há, de fato, apenas sensações, emoções, análises, pensamentos livres, ideias e ideais se atacando, sobrepondo e dialogando. Não além disto algo que esteja por cima, uma verdade...
Há apenas estas pequenas memórias que estão aqui se derrubando. Este fluxo que não se controla direito. Este fluxo é a versão consonante da solidão.
Sentir-se só. Absoluta e completamente só em todas as suas mínimas características e reminiscências de memórias... em toda a sua subjetividade perceber que não encontra par no mundo pra se compartilhar. Que o compartilhamento de si é uma descontinuidade ab-rupta. Ininterrupta. Em tudo aquilo que importa, em todo o micro-universo de sua consciência, sentir-se isolado e incomunicável. Há ali afinal uma prisão maior do que outras quaisquer prisões: a de ser livre, mas não se poder comunicar. Não simplesmente existencial, não de simplesmente haver liberdade (sem saber se o há), e portanto angústia. A solidão maior que não seja a existência de si, mas a incomunicabilidade. O mundo interior, fechado pra si. A linguagem externa sempre tateando. Tateando emoções, sensações. Nos ludibriando com um conceito inventado, a verdade. A verdade, o conceito inventado pra nos dar segurança. Não há nestas nossas pequenas memórias nada mais falso que o próprio conceito da verdade. Porque parece colocado a mão neste fluxo ininterrupto pra descortiná-lo com a forma final, a verdade. Mas há, de fato, apenas sensações, emoções, análises, pensamentos livres, ideias e ideais se atacando, sobrepondo e dialogando. Não além disto algo que esteja por cima, uma verdade...
Há apenas estas pequenas memórias que estão aqui se derrubando. Este fluxo que não se controla direito. Este fluxo é a versão consonante da solidão.
domingo, 16 de setembro de 2012
Saudade
Já não se viam há tanto tempo,
e há tanto tempo que falavam só pela internet
que a saudade virou saudadwirless.
e há tanto tempo que falavam só pela internet
que a saudade virou saudadwirless.
Assinar:
Postagens (Atom)
