segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Diferente
Se faz
domingo, 23 de agosto de 2009
O Coração
Obscuro, obscuro, obscuro, eterno.
Que veia é a que faz o sangue correr.
O drible entre uma artéria e outra,
e confuso o coração mistura,
se caindo pesaroso apaixonado
de novo pelo mesmo fado.
Mas não pensemos que não se tenha avisado
é longa a data desde quando se pronunciou...
ao coração deixaram-no de lado,
e por vingança da vida o controle ele tomou.
Resolveu que queria pra si, e mais ninguém
o intuito original de toda razão
a de gerar ordem e gerir organização,
e fez progressos que não se soube bem.
Mas o coração se cansou desta labuta
entregou o cetro pra outra mão arguta
que lhe desse garantias de manter a razão
e o deixasse em paz com sua paixão.
Foi-se dali com bico calado,
beiço trôpego e mãos para baixo.
Mas levou consigo o rim e o fígado
Em tempo de dizer, “Autonomia, sem mim? Não!”
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Haja sexualidade
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
As Três Palavras mais Estranhas
a primeira sílaba já pertence ao passado.
Quando pronuncio a palavra Silêncio,
destruo-o.
Quando pronuncio a palavra Nada,
crio algo que não cabe em nenhum não-ser.
As proporções continentais.
Franco-germanófila.
O ser patético é totalmente blaisé.
O ser é totalmente blasé.
O ser totalmente blau.
ser totalmente uau.
totalmente lá.
a.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Diagramação das palavras.
Aponte seu periscópio certeiro.
No nascimento de uma nova palavra.
Não deixa o censor alcoviteiro.
Desarrumar a pruma que andava.
Ó que horror dizia o censor.
Inventaste de novo o furor
Não tens nem o direito ou licença
De mantê-lo sem desavença.
Mas pra isso existem os gramáticos
Sim senhor seu censor, que decidem
Eu cá só estou em delírio
Deliciado com a invenção, um colírio...
Fim de noite
De manhã a criação pede uma folga.
Tempo pra ficar sozinha com calma.
E ronca e sonha com poemas que nascerão.
Gestados nos sonhos e nas imagens noturnas do inconsciente.
É hora de ir pra cama, diz a consciência.
A consciência sempre amiga do conselho.
Aconselha de se esquecer estas bobagens de inconsciente.
Que ataca à vaca louca a noite.
Diz a consciência pra fazer o que se deve fazer.
E nada mais.
Diz e morre pra dormir no inconsciente.
Pedindo e seguindo a desobediência.
O mau Poeta.
Poemas de mau poeta
mal pensados,
mal talhados,
tortos em linhas retas,
vão que se vão
acusando na mão,
aqui tem um coração
que se senta e pulsa
mas não consegue
dizer com vernáculo
o que lhe vai por dentro
só pensa de momento
sobre algo existir,
Ecco è il fato!
E era italiano.
Finais de Semana
Há aqueles finais de semana sonhadores, esperançosos em Lá bemol maior, finais de semana em manhãs de sábado com Sol entre folhas de árvores, gosto de relva. Finais de semana com filmes de fim de tarde e que se acabavam no vamos fazer outra coisa porque a televisão no domingo a tarde se negava a funcionar. Parecia dizer: me deixem em paz com minha quietude!
Há aqueles finais de semana nublados, cinzentos e cheios de olhares pro lado em Dó sustenido menor, aqueles em que se olha muito mais pra baixo, um nó na garganta, que passam lentinho, falam baixinho, resolvem uma melodia quieta, e serena de tristeza, límpida, como uma própria flanela de seda, passando lisa no tempo da mesa.
Há os finais de semana tenebrosos em Ré menor, cheio de erros e borrachas e a prova de apagadores de ações feitas e refeitas, penduradas em prego na memória, vincadas a parafusos na pele, que dizem não deixar esquecer este horror que ficou feito, o que se faz e se fará, que diz não deixar esquecer nada disso, tudo anotadinho, no livro das causas sem solução que depois tomará conta não sabemos quem.
Há aqueles finais de semana em Dó maior sem nada disso, aqueles em que só se deseja, trabalhar, estudar, assistir a novela, ler um livro, e começar de novo outras coisas na segunda-feira que não são são as mesmas da última semana.
